AMIZADE ENTRE PAIS E FILHOS
Vamos refletir sobre a questão e sobre a amizade entre pais e filhos. Uma
relação de amizade abrange bem-querer, companheirismo e cumplicidade. Estas
qualidades podem fazer parte da relação pais e filhos, mas não são a base. Numa
relação de amizade deve existir reciprocidade que supõe horizontalidade nas
relações estabelecidas, isto é, igualdade, simetria entre as partes. No
entanto, não existe educação sem hierarquia, por isso a relação entre pais e
filhos é assimétrica.
Os pais se dedicam (a vida toda) a seus
filhos e o que devem esperar é respeito e não reciprocidade. Pais devem ficar
num “patamar” superior aos filhos. E é claro, muitas vezes, saírem desse
“patamar” e chegarem ao nível dos filhos: brincar, soltar pipas, jogar futebol,
tênis, contar piadas, passear etc... mas, logo depois devem voltar para os seu
lugar. Pais e mães são referenciais para seus filhos. São “porto seguro”,
exemplo, modelo... Decisões devem ser tomadas pelos pais, como por exemplo, a
decisão de matricular o filho numa escola. Uma criança não pode arcar com
tamanha responsabilidade e, principalmente em nome da amizade. Alguns pais
dizem que “não há problema, meu filho pode tomar esta decisão, porque nós
falamos tudo um ao outro”.
Ao se propor aos filhos essa relação
horizontal, na qual se fala tudo e se espera ouvir tudo deles, não se preserva
o distanciamento necessário para que cada um se constitua como sujeito. Os
filhos têm segredos que não compartilham com os pais (e nem devem!!). O que estes
pais não percebem é que agindo dessa forma, não estão instrumentalizando a
criança para a vida, não estão favorecendo a construção da ética, pois assumir
a responsabilidade de escolher a escola para seus filhos é tão importante
quanto interditar tudo aquilo que represente perigo físico ou psíquico aos
filhos.
Dizer NÃO e estabelecer limites é muito
mais trabalhoso do que dizer sim e deixar acontecer. Em alguns casos, dizer sim
aos filhos é mais que danoso: é perverso! Pais precisam de paciência, que exige
TEMPO, (não só a qualidade de tempo, a quantidade de tempo é igualmente
importante!) e disposição para argumentar. Não podemos nos esquecer de que é de
suma importância a segurança e coerência dos pais na transmissão de valores
familiares, das regras e leis. É comum observarmos que determinadas crises na
adolescência são provenientes da falta de investimentos na infância, que não
podem ser delegados a outros ou às escolas. Sem a preservação da sua
autoridade, não é possível a nenhum pai ou mãe educar.
Consuelo Carvalho de Araújo - Pedagoga especialista em educação
Consuelo Carvalho de Araújo - Pedagoga especialista em educação

Parabens pelo sua matéria !! sou Psicólogo e gostei dos argumentos. Temos uma ONG que trabalha na aréa educacional com 28.000 alunos da rede publica na cidade de Sãp Paulo e outras cidades do país . Nossa ONG chama-se ( WWW.makanudosdejaveh.org ).
ResponderExcluirMeu mone é Marinho Monteiro.
Parabens!!!